Entrevista com Oscar Filho.
sobre estilo, humor e eleições
Texto: Clay Rodrigues
Fotos: Divulgação

Repórter e humorista, Oscar Filho é um dos nomes fortes na recente geração de stand-up comedy brasileira.
Desde muito jovem, fazia comerciais, mas foi em 2005 que, ao lado de colegas como Rafinha Bastios, outro integrante do CQC, emplacou no YouTube com seus webhits retirados de espetáculos.
Paralelamente ao CQC na Band (que é a versão brasileira do programa de mesmo nome criado na Argentina e transmitido em uma dezena de países), Oscar viaja o Brasil com o show solo Putz Grill, que reúne seus melhores números desde que começou a se dedicar ao estilo.
O Finíssimo encontrou o “pequeno pônei” (apelido dado por Marcelo Tas, âncora do CQC) nos bastidores do Oscar Fashion Days 2010 em São José dos Campos e bateu um papo rápido sobre política, eleições, o limite da piada, conquistas e moda.
Aos 18 anos você ganhou o concurso Contos e Poesias de Atibaia, conta como que foi isso.
Na verdade meu pai escrevia muito ele sempre participava desse concurso, aí um dia eu me inscrevi com uma redação que fiz na escola. Na verdade a idéia era melhor que a redação, mas enfim eu escrevi e acabei ganhando.
Antes do CQC você já era reconhecido pelos shows de stand up. Essa experiência te ajudou a ter as perguntas e as respostas sempre na ponta da língua?
Sim, o stand up é muito conciso. Eu preciso dar a informação, fazer a pessoa entender e rir, tudo de uma vez, e a TV pede essa dinâmica.
Você vai votar? Quais são seus critérios de escolha para estas eleições?
Não votarei, vou estar no Acre atrás da Marina Silva… Está tão difícil, realmente muito complicado, porque estamos em um momento muito ruim. Eu pensei votar nulo, acho que também é uma forma de posicionamento, apesar de que o voto nulo da força a quem está ganhando. Eu realmente não sei, acho que até o momento de clicar e confirmar eu iria ficar na dúvida.

Comédia pode ser uma ferramenta para aguçar a vontade do telespectador sobre política?
Acho que sim, porque fica mais digerível. Quando você sabe que a pessoa é engraçada você presta atenção no tema, pois em algum momento pode acontecer algo engraçada.
O CQC faz jornalismo com comédia ou a comédia vem primeiro?
Acho que depende da matéria. Se for política com certeza é mais jornalística que engraçada, mas às vezes os dois se equilibram, não tem uma definição muito clara, o CQC é o CQC.
Você já levou algum furo para o CQC?
Acho que nunca teve nenhum furo, o programa é gravado. Teve uma vez que eu descobri um caso sobre a Maria Cândida e o marido dela, risos.
Você já passou do limite?
Sim, acho que o humorista de verdade tem que chegar ao limite algumas vezes para saber como que é. Até porque as pessoas só riem quando você chega a um certo limite que elas não acham que você ira chegar, elas riem quando dizem “caramba olha o que ele falou”. O riso é uma emoção que muitas vezes você solta após a tensão que estava acontecendo naquela situação.
O Casseta e Planeta já foi um dos melhores programas de humor da TV aberta. Hoje temos o Pânico que é um sucesso, mas os dois já estão bem previsíveis. O que o CQC faz para não cair na mesmice e cansar quem acompanha o programa?
Essa pergunta relaciona muito com aquela do stund up que você fez. A TV é muito rápida, ainda mais agora. Então ser 100% original é difícil, nem o CQC, nem o Pânico e nem o Casseta são originais. Eu realmente admiro o Casseta e Planeta, eles estão ai há 15 anos, na mesma faixa de horário e data, isso é difícil de manter. Para o CQC ainda é fácil inovar, pois ainda somos muito novos.
Quem você adoraria sacanear em uma entrevista?
O George W. Bush, mas acho que vai ser difícil.
Vocês do CQC estão fazendo sucesso, já firmaram seu espaço na mídia, creio eu que vocês estejam bem tranquilos em relação a dinheiro. O que você fez questão de comprar quando colheu os frutos desse trabalho?
Foi um carro. Eu trabalho muito fazendo show e viajo bastante em questão disso. E eu tinha um carro bem caído, por conta dele quase me envolvi em uma batida animal, pois o carro não era nada estável e eu sou “braço” para caramba, então eu queria um carro maior, mais seguro e com air bag.

Você acha a moda fútil?
Difícil essa pergunta, porque tem gente que admira a moda, acha necessária. Aqui no Oscar Fashion Days vemos uma moda mais possível, porque o que o pessoal está desfilando é comum de se ver nas ruas. Mas a moda em si, de tendência, marcas, caras bonitos, mulheres maravilhosas, e pessoas célebres é no fim um show e um bom entretenimento, mas não é algo que me atrai.
Você se preocupa em pelo menos sair bem vestido?
Se vestir bem é necessário. O fato de o figurino do CQC ser terno é ótimo, porque com essa roupa posso ir p qualquer lugar, do carnaval de rua a um evento mais sofisticado. Porém não me ligo nisso, eu tenho um par tênis e umas dez calças, mas uso uma ou duas. No dia a dia não ligo para como me visto, procuro mesmo é ficar confortável, eu vou de terno se for um evento que seja inevitável não usar.








